Nos meus tempos áureos de enfardanço, tudo o que vinha à rede era peixe. Fossem gomas, uma fatia de bolo, comida chinesa, piza congelada ou até uma massa com bacon e natas, marchava tudo. Eu comia até ficar satisfeita, ou antes, até ficar enfartada. Como se a comida fosse uma espécie de anestesia, capaz de me deixar noutra dimensão. Comia doses assustadoras de tudo o que se pode imaginar. Muitas vezes comia sozinha.

Hoje sou muito mais seletiva. Com vida em geral e com a comida em particular. Antes de comer, penso se vale a pena pôr em causa a chegada às minhas metas por uma fatia de bolo que não é assim tão bom, por exemplo. E por isso, para eu me estragar, tem mesmo de ser por alguma coisa que me console, que me saiba p’ra lá de bem. Esta atitude, que pode parecer pequenina, faz toda a diferença. Assim, torna-se muito mais fácil recusar algumas ofertas, estar em certos espaços, ir a certos eventos.

Este é um exercício poderoso, que eu gostava de passar a todos os que me lêem e que pretendem mudar o seu corpo de alguma maneira. Antes de comer, façam um rápido exame de consciência e tentem perceber se estão a comer porque têm fome, por gula, porque estão muito tristes, porque estão muito felizes, porque nem sabem porquê. Esta reflexão, que dura pouco mais de alguns segundos, pode mesmo influenciar o nosso comportamento alimentar. Porque pequenas mudanças podem trazer-nos sucessos gigantes.

3 Comments on Vale a pena estragar-me por isto?

  1. Obrigada Joana! Acho que essa é a minha maior luta diária, resistir ao comer por estar triste, por estar cansada, por querer qualquer coisa que nem sei bem o que é, comer só porque sim para compensar qualquer coisa que não tem de ser compensado com comida….

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