Mês: setembro 2015

Crescer no Cambodja

No Cambodja as pessoas são tão queridas, que nos fazem ter vontade de as abraçar a toda a hora. Siem Reap estava a abarrotar de turistas, sobretudo de gente de olhos em bico, que enchiam todos os locais por onde passavam. No Cambodja anda-se de TukTuk. Eu e as minhas amigas fomos conduzidas pelo Mr. Chan, The Angkor Happy Driver, como se denominava. Adorámo-lo no dia em que chegámos: por ser querido e, da minha parte, por ter vestida uma camisola do Benfica. Falei-lhe imenso do clube e ele ouviu-me sempre com um sorriso. Através da sua orientação, visitámos os templos e uma aldeia de monges, que deu muito que pensar.

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Foi tudo muito emotivo, bonito, mas às vezes um pouco triste. A miséria em que as crianças vivem desfez-me. São obrigadas a vender postais e flautas durante todo o dia, desde madrugada. Mendigam por “one dollar, just one dollar, miss.” Andam por ali, sem deixar perceber se há ou não algum adulto responsável por elas. É duro. O Cambodja fez-me crescer duma forma que não esperava. Acho que não sei explicar esse crescimento com palavras. Só o sinto. E esta falta de vocabulário faz-me perceber o quanto fui, simples e autenticamente, feliz.

Menina da mamã

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Sempre fui uma mimada. A minha mãe não é daquelas mães que está sempre a abraçar e a beijar as crias, mas é uma mãe incondicional, que demonstra o amor que nos tem, a mim e ao João, das mais variadas formas. Não houve um dia da minha vida em que não falasse com a minha mãe, mesmo quando deixei de viver com ela. A nossa ligação é feita de muita cumplicidade e private jokes, muitas delas sobre o meu pai. Coitado! Desde miúda que sinto saudades da minha mãe, sempre que estamos fisicamente longe. Talvez estas saudades se devam ao facto da minha mãe ter adoecido gravemente quando eu tinha 6 anos e, de repente, ter desaparecido. Aquela ausência sem culpa deve ter deixado marcas e a verdade é que às vezes, ao final do dia, sobretudo, ainda sinto a falta da minha mãe. A viagem fez-me bem também por isto. Falámos todos os dias, mas não nos vimos, nem estivemos perto. Confesso, do alto dos meus 29 anos, que houve momentos em que senti o coração apertado. Como se tivesse voltado àqueles tempos de miúda, em que não vi a minha mãe. Se as três semanas de férias me mudaram neste pormenor? Não. Só me mostraram que não podemos, nunca, ter medo da distância. Quem habita dentro de nós, habita de modo irreversível e, por isso, está sempre tudo bem. E eu não tenho cura: serei sempre uma menina da mamã.

A Adele está de volta e vem uma Perna Fina!

O disco da Adele andou comigo no carro meses a fio. Sabia as músicas todas e durante o caminho para o trabalho cantava-as num tom ensurdecedor. Eu e a Adele possuíamos duas coisas em comum: éramos gordas e tínhamos problemas nas cordas vocais, diagnosticados na mesma altura. Lembro-me de dizer: tenho o mesmo problema da Adele. Eu e a minha mania das grandezas. Felizmente, as minhas cordas vocais voltaram ao sítio depressa. A Adele teve de ser operada e houve quem dissesse que não voltaria a cantar. Em 2013 deu uma entrevista à Vogue, dizendo que se tinha tornado vegan, que tinha deixado de fumar, começado um rigoroso programa de pilates e que essas mudanças a tinham ajudado a perder 30 quilos.

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Há um dia ou dois saíram notícias sobre o seu regresso e a promessa é a de um disco novo já em novembro. Mas a cantora volta a ser notícia, também, por ter continuado a perder peso. 68 quilos, dizem alguns! A olhar pelas fotografias de há dois anos, nem consigo imaginar como estará agora. (Só espero que os Astros da Perda de Peso lhe tenham preservado a voz.) Confesso-me em ânsias por ver a imagem renovada e por ter outro CDzinho dela a rolar no carro aos altos berros.

Perna Fina vai ao CrossFit – O Regresso

Passei o mês de agosto de papo para o ar. Mexi-me para visitar os sítios que queria, para me banhar no melhor mar do mundo e para comprar e comer gelados. O meu agosto foi isto. Hoje voltei ao CrossFit e, assim que senti o cheiro a borracha do chão da box, senti o que senti sempre que fiz um treino daqueles: um misto entre “Ai caraças, que estou prestes a vomitar um pulmão!” ou “Ai caraças, que eu vou fazer isto até ao fim e sem chorar muito!”

O WOD era um 21/15/9 de thrusters e pullups, que é como quem diz: 21 thrusters, 21 pullups, 15 thrusters, 15 pullups… Um pequeno inferno, portanto. Fui de peito aberto, juro que fui, na esperança de sofrer apenas o necessário, mas o meu falecimento progressivo começou com os 400 metros de corrida no aquecimento. Nunca aquela subida me pareceu tão longa. Depois foram os squats, os swings, as pushups, os espera-que-é-com-este-que-desmaias! No fim do aquecimento eu já estava pronta para me atirar para o chão, esperando que alguém me içasse dali p’ra fora.

Veio o WOD e foi o fim da picada. 10 thrusters e eu achei que o meu coração rebentava. 15 thrusters, 20 thrusters, 21 thrusters. Que dores meu Deus! As pernas tremiam como varas verdes e aquilo tinha acabado de começar. 5 pullups, 10 pullpus, 15, 20, 21 pullpus. E eu fiquei arrumada. A ronda dos 15 thrusters foi mentira. Levei uma eternidade a terminá-la. Faltava 1 minuto para o WOD acabar quando comecei a ronda das 15 pullups. Num minuto fiz 5. 5!

Agora que escrevo sobre esta catástrofe natural, lembro-me que não apontei o resultado no quadro. Deve ter sido o meu subconsciente a dizer: “Está quietinha, não te humilhes dessa maneira e guarda o teu resultado só para ti.” Resumindo, isto custou-me (quase) tanto como as aulas de educação física com 80 quilos. Acho que amanhã não ando, mas vou arrastar-me até àquela box e emendar isto. Vou, vou. Ai, Tailândia, Tailândia, deste cabo de mim!