Mês: setembro 2015

10 verdades sobre a Perna Fina

048Joana Duarte _ Isabel Saldanha Photography

1.º Eu fui gorda e sofri muito por isso.
2.º Perder peso não tem sido assim tão difícil.
3.º O meu prato favorito continua a ser alheira.
4.º Tudo o que eu conto nos textos aconteceu mesmo.
5.º Os treinos de Crossfit ainda me custam horrores.
6.º Às vezes falho o plano e como batatas fritas com molho de alho.
7.º Demorei demasiado tempo a aceitar que tinha um problema com a comida.
8.º Sim, eu comia porque me sentia triste. Engordava e ficava ainda mais triste.
9.º As consultas de reeducação alimentar são fundamentais para eu manter o foco.
10.º Estou mais feliz que nunca! ou Mandem vir as pragas, invejosas!

Ser gorda e não ter o que vestir

Das piores coisas de ser gorda, à parte de todas as doenças, pouca autoestima e desalento geral, é não ter nada para vestir. E nada é mesmo nada, ou muito, muito pouco. Não foi preciso muito tempo para eu me mentalizar que, por causa do meu corpo, havia montes de peças de roupa que eu não podia vestir. Quer dizer: poder, podia, mas nunca me senti bem em fazê-lo. Camisolas que deixassem o umbigo de fora, calças muito justas, calções, saias curtas e tops sem alças, tudo isso me passou ao lado. Calças de ganga e camisolas era tudo o que eu usava. Às vezes comprava uma saia ou um vestido, mas acontecia várias vezes nunca os estrear. Olhando para trás, não posso dizer que esta coisa da roupa tenha condicionado toda a minha existência, mas a verdade é que passei década e meia presa no meu próprio corpo, sem saber muito bem como me libertar dele. Cheia de entraves. Com pouca opção de escolha. E isso sim, condicionou-me à séria. Agora que estou do outro lado da barricada, percebo que o que vivi me tornou melhor. Melhor porque valorizo este corpo que eu tenho, porque não me foi dado de mão beijada. Foi conquistado por mim. Este corpo que hoje pode vestir tudo o que eu quiser.

Peso Pesado Teen

Peso-Pesado_SIC
É um dos meus reality shows preferidos de todo o sempre. Apesar de nunca ter tido o peso dos concorrentes do programa, sei bem o que é sentir que não temos controlo sobre o nosso corpo, sobre o que comemos e bebemos. Mas também sei bem como é bom nos superarmos e nos tornarmos melhores. Por isso, vibro imenso com os sucessos que lá se vivem. Este programa levanta muitas questões quanto à durabilidade dos resultados obtidos. Há casos de participantes que voltaram a engordar todos os quilos que emagreceram, mas sobre isso escreverei outros textos. O de hoje serve para dizer que serei espetadora assídua, cheia de opiniões, e que torcerei por eles como torço por todos aqueles que desejam mudar. Para melhor.

Voltei ao mesmo

Comi mesmo muito nas férias. Comi tudo o que me apeteceu, na verdade. Não sei se engordei porque só me peso nas consultas, foi um compromisso que fiz com a dr.ª Catarina, e ainda lá não voltei. Quando regressei à rotina, senti-me muito inchada e pesada, mesmo sem saber a que é que essas sensações correspondiam. Mas duas semanas depois, sinto-me igual ao que estava em julho. Talvez o meu corpo tenha percebido que eu voltei a ter juízo e simplesmente correspondeu. O que me tranquiliza é saber que, independentemente dos resultados que aparecerem na balança para a semana, na consulta, o controlo da situação está todo nas minhas mãos e, por isso mesmo, não há nada que eu não possa remediar.

(E se esta não é uma das grandes conquistas da minha vida…)

Estas cabras destas hormonas!

Eu esforço-me, todos os dias, por levar uma vida limpinha de excessos, por treinar, por beber água e por fazer tudo o que está ao meu alcance para cumprir o que acho que devo cumprir para ser saudável e feliz. E depois chega aquela altura do mês em que só me apetece gritar sem parar, comer este mundo e o outro, nomeadamente chocolates e batatas fritas, e mandar toda a gente para um sítio feio. Ou para dois. Não sei se todas as mulheres sofrem deste mal, mas eu sofro. E não, não é mania minha, é mesmo real. Nos próximos dias estarei assim. Por isso, das duas uma: ou vêm falar comigo a acenar com um potezinho de Nutella na mão ou escusam de vir, porque estarão a perder o vosso tempo. Depois não digam que eu não avisei.

Os 3 meses de ginásio do meu irmão

O meu irmão sempre foi magro e eu sempre fui gorda. Esta frase podia resumir a nossa convivência durante grande parte da nossa vida. Passei anos a ouvir: O João pode…! O João podia comer bolachas, pizas, massas e tudo o que lhe apetecesse. E eu via-os passar, já muito consciente do meu estado avançado de deterioração, muito infeliz a comer o peixe cozido com brócolos.

Nos últimos anos esta situação inverteu-se, diria eu, significativamente. Não da minha parte, que continuei gorda até há bem pouco tempo, mas da parte dele. Tanto pôde, tanto, pôde, que deixou de poder. Sem dar por isso começou a acumular uma certa gordura abdominal, muito semelhante à do nosso pai. Ele não queria admitir e perguntava constantemente: Já estou mais magro, não estou?, sem fazer nada por isso, o que tinha uma certa graça.

Eu, recorrendo aos meus conhecimentos de Perna Fina, tentava aconselhá-lo como podia, mas ele nunca me dava atenção: Tu foste sempre obesa e agora estás p’rái a falar. (Sempre gostei que as pessoas soubessem conjugar os verbos no tempo correto.) Depois de tanta insistência, o João decidiu inscrever-se num ginásio. E foi todos os dias, combinou com os amigos e andou todo partido. Isto foi há 3 meses. Porque, adivinhe-se, este mês já não pagou a mensalidade, alegando uma série de tretas só para não se voltar a mexer.

Quando olho para ele só me apetece dizer: Quem é que é o gordo agora, ãh, ãh? Mas não digo. Vá, às vezes digo, que também não tem mal nenhum. Esperei anos para poder fazê-lo. Mas na verdade, verdadinha, eu gostava, do fundo do coração, que ele voltasse ao ginásio, na loucura, que entrasse para o CrossFit, e que pudéssemos estar os dois do lado fit e saudável da vida, felizes e contentes, aos saltinhos e de mão dada, como bons irmãos. LOL! Não me parece que isso vá acontecer.

fotografia

(Ricos paizinhos, que fizeram dois filhinhos tão perfeitinhos!)

Faz hoje um ano!

toyota

Faz hoje um ano que eu saí de dentro deste carro, apenas com dores de pescoço e algumas, muitas, nódoas negras. Faz hoje um ano que me tornei mais grata à vida e passei a estimar com mais cuidado o meu corpo, por perceber que não há beleza maior do que sermos saudáveis e fisicamente capazes do que quisermos.

O meu plano alimentar

O meu plano alimentar foi elaborado pela Dr.ª Catarina e ao longo deste ano e meio sofreu muitas alterações. A Dr.ª teve sempre em conta os meus gostos e preferências. Ao mesmo tempo, ajudou-me a perceber quais as melhores opções para mim, pensando numa alimentação saudável que perdurasse no tempo e não numa dieta restritiva para cumprir a curto prazo. A verdade é que me imagino a comer assim para o resto da vida, porque gosto de tudo o que como, mesmo que nem sempre coma tudo o que gosto. Um dia típico do meu plano alimentar inclui 2 a 3 refeições principais e 3 lanches.

pequeno-almoço: cereais sem glúten com café com leite + ovos mexidos ou pão sem glúten com fiambre de frango e queijo creme com café com leite ou chá (sem açúcar);
lanche da manhã: uma lata de atum + 2 a 3 tortilhas de milho ou fruta fresca + frutos secos;
almoço: carne, peixe ou marisco + arroz integral ou batata doce ou massa de arroz ou quinoa com vegetais (crus ou cozinhados)
primeiro lanche da tarde: fruta + frutos secos + iogurte magro sem lactose;
segundo lanche da tarde: pão sem glúten com atum ou fiambre de frango + queijo creme ou ovo mexido;
jantar: (em dias de Crossfit, logo a seguir ao treino) batido de proteína whey feito com água ou (noutros dias) carne, peixe ou marisco com vegetais (crus ou cozinhados).

Ao longo do dia, bebo 1,5 litros de água ou tisanas. Se comprar das de supermercado, diluo-as em água (1/3 de tisanas para 2/3 de água) e opto sempre p’las que têm apenas 1 caloria por 100 ml. Ao fim de semana permito-me a uma refeição que contemple batatas fritas ou outras cenas do mal. Tento que essa refeição seja ao almoço, para que o estrago não seja maior. Tenho muita dificuldade em resistir a sushi e às vezes trinco um temakizinho ou dois durante a semana.

Não sou escrava da minha alimentação, mas estou consciente da sua importância na minha vida, na minha saúde e na minha imagem. Perder peso exige persistência, disciplina e alguma coragem. Mas há lá coisa mais compensadora do que nos melhorarmos convictamente a cada dia que passa?!

Domingos

relax

Esta semana voltei a casa, ao meu plano alimentar, aos treinos e ao trabalho e achei que me ia sentir profundamente deprimida por já não estar com o rabo de molho, mas não tive tempo para isso. Foi uma semana demasiado intensa e rápida. Acordei todos os dias com muitas dores no corpo e tive a felicidade de voltar para os abraços dos meus alunos. Aconteceu tudo assim, num ai! Hoje é domingo e eu posso ficar quietinha, sem me mexer muito, a escrever, a ler, a fazer o que bem me apetecer. Porque amanhã já começa tudo outra vez. E ainda bem.