Mês: setembro 2015

Ser viciado em comida

Os toxicodependentes são vistos como tendo um problema. Os alcoólicos também. O mesmo acontece com os indivíduos que são viciados em jogo, em sexo, em tabaco ou noutra coisa qualquer. Todos são dados como pessoas que têm comportamentos que lhes podem comprometer a vida pessoal e profissional. Os viciados em comida são apenas gordos. Seres que têm mais apetite que a maioria, que comem mais do que deviam e, por isso, pesam mais. E o que é que os gordos têm de fazer para deixarem de ser gordos? Têm de fechar a boca, ser menos gulosos, dar uma corridinha ou duas. Esta é a opinião que a maioria tem sobre quem tem excesso de peso. O vício da comida não é levado a sério porque não faz as pessoas cambalear, nem as torna promiscuas, nem as leva a gastar todas as suas poupanças num casino, por exemplo. Enganam-se todos os que pensam que o vício da comida não compromete a existência de quem o vive. Fisicamente é indiscutível: os problemas de saúde, a falta de mobilidade, a dificuldade em respirar. Porém, o que não está à vista pode ser bem mais devastador. Não se diz a um drogado para parar de consumir, assim, do pé p’ra mão, sem se achar que não vai precisar de algum tipo de apoio. Mas aos gordos diz-se. Pára de comer. Não consegues resistir a um docinho? Enquanto este preconceito existir será ainda mais difícil combater a obesidade e os problemas a ela associados. Já é hora de levar a gordura a sério e não como uma questão puramente física. O vício da comida é real e deve ser encarado com toda a seriedade que merece.

29 e 1 mês

Hoje faço 29 anos e 1 mês. O 28.º ano foi o melhor e mais espetacular ano da minha vida. Foi aos 28 que me superei como nunca, que passei a gostar verdadeiramente de mim. Nunca imaginei fazer anos tão longe de casa. Há um mês estava na Tailândia, mais precisamente em Ao Nang. Foi um dia tão lindo, tão diferente de todos os 21 de agosto que eu já vivi. Que o último ano dos 20 seja inesquecível. Eu vou fazer por isso.
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Um enorme obrigada às minhas amigas, por me terem proporcionado um dia tão especial.

Só isto

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Hoje fiz uma sessão fotográfica para mudar as imagens do blogue. Quem me fotografou foi a Inês, uma amiga que conheci nos treinos de Crossfit. Fui penteada e maquilhada por outra amiga, a Sónia, que também conheci na box. Pessoas boas. Pessoas que a vida me trouxe quando decidi mudar a vida. Como se esta forma de me sentir inteira atraísse coisas e pessoas do bem. Só vi algumas fotografias, que a Inês editou para me matar a ansiedade. Olhei para esta e senti um aperto no peito. Nunca pensei ver-me assim. Já olhei para a fotografia vezes sem conta, só para me certificar de que sou mesmo eu. E confesso, numa das visualizações, comovi-me. Sem nenhuma modéstia, consigo dizer que estou muito orgulhosa de mim e do que tenho conseguido. Neste momento, não me atrevo a pedir mais nada. Só isto.

Já tenho um hater!

Dizem que um blogue de sucesso tem de ter haters. Eu já ganhei o primeiro, o que é um ótimo sinal. Obrigada a este querido leitor, por me ter feito o comentário mais fofinho de sempre. Tão fofinho, que até me apeteceu dar-lhe algum espaço aqui no blogue, porque merece mesmo e porque me apetece responder-lhe de forma fofinha, também.

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Querido leitor, coisa mais fofinha,
Gostei tanto de ler as suas palavras. Tem toda a razão: eu sou mesmo uma grande mentirosa. Na verdade, há quinze anos que ando a preparar a vingança merecida para aqueles miúdos e miúdas que quase me deram cabo da vida. Eles nem sabem o que os espera. Sim, porque pensavam o quê? Que já tinha ultrapassado todas as ofensas? Mas antes da vingança vou agradecer-lhes como deve ser, o facto de já não ser um cachalote abandonado. Porque foi graças a todas as alcunhas que me deram que eu percebi que: ou fechava esta boca de caixote ou continuava gorda para o resto da vida. Epá, pensando bem na coisa, eles fizeram-me foi bem. E eu aqui a pensar em vingar-me deles, toda ressabiada. Que ingrata que eu sou! Depois, querido leitor, fiquei a pensar no facto de ser a gordita do crossfit. Não sei se quero isso para a minha vida, sabe? Se calhar remeto-me à minha insignificância e fico-me por ser só gordita. Parece-lhe melhor assim? Só mais uma coisinha, que tipo de pessoa critica outra que não conhece, publicamente, na internet? Desculpe a frontalidade, mas parece-me que tem alguns traumas para ultrapassar e, parece-me também, que os seus traumas não são de infância, mas de hoje em dia mesmo. Vá, continue a escrever-me, para me chamar a realidade, está?
Um beijoca, deste cachalote mal resolvido,
Joana.

 

Não tenhas medo, Nelly!

A cantora da Cóme uma Força foi falada por estar muito diferente. Quando se abre o link da notícia, aparece um antes e depois da Nelly, com o intuito de chocar os leitores com o excesso de peso que tem hoje em dia. Às tantas, podemos ler que no Festival de Cinema em Toronto, a cantora se mostrou “bem-disposta e sem medo dos quilos que ganhou nos últimos anos.” Então mas agora a mulher tem de ficar fechadinha em casa? Ela sempre nos disse que gostava de viver Like a Bird, que é como quem diz ser livre que nem um passarinho. Revoltada com isto, decidi escrever um recado para a Nelly.

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Querida, Nelly,
Continua sem ter medo, ok? Faz a tua vida descansada e borrifa-te no que está gente diz. É verdade que já não tens a cintura de há uns tempos, mas também não vem mal nenhum ao mundo por causa disso. Creio que a podes recuperar com algum esforço. Sei que não me conheces, mas olha que eu sei do que falo. E se um dia voltares a Portugal apita, que tratamos de marcar um treino ou coisa assim. Gosto de ti, pá!
Uma beijoca,
Joana.

Não aguento não dizer, pronto!

Eu ando há um dia a tentar evitar falar nisto. Pensei em abafar o caso, fingir que não tinha acontecido, mas não aguento mais. Tenho de pôr o dedo na ferida, tenho de ser franca e honesta, como é meu apanágio. Ontem fui à consulta da doutora Catarina, ainda não tinha ido desde o regresso das férias. Contei tudo o que comi e bebi, timtim por timtim, que eu assumo as minhas culpas. Pus-me em cima da balança e pumba: mais dois quilos. Dois quilos de chicha maciça. Chicha na anca e na barriga. (Podia ir para o rabo e para as mamas, mas não. Anca e barriga.) Dados os resultados, o meu plano sofreu algumas alterações. No fundo, saíram de lá uns extrazinhos que eu tinha adicionado à revelia da doutora. Não há cá mais melão, nem uvas assim ao disparate. Nem a fatiazinha de queijo flamengo ao pequeno almoço. Nem aquela tarte de brigadeiro que comi no outro dia… Ai! Esta vida dura de ser saudável e sincera às vezes fatiga-me. Dá-me trabalho! Mas depois, concentro-me um bocadinho, respiro fundo e sigo caminho. Afinal, não há fatia de tarte que me alegre mais que comprar umas calças estrelicadinhas na Zara.

Obrigada, obrigada, obrigada!

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Ontem sentei-me para escrever uns textos daqueles mesmo bons, mas tinha tantos comentários e tantas mensagens que a minha escrita ficou por respostas. Saber que a minha história pode influenciar alguém positivamente, dá cabo de mim. Dá mesmo. A Perna Fina começou por ser só minha, da minha mãe e de alguns amigos e agora é duma porradona de gente. Eu não podia estar mais satisfeita, grata e comprometida. Tanto incentivo bom só me faz querer ser muito mais e muito melhor. Muito, muito melhor. Obrigada, do fundo do coração, por todas as palavras. Viver este momento de reconhecimento faz valer a pena cada batata frita recusada, cada burpee. Continuem por cá. Eu prometo que vai valer a pena.

Não tens vergonha?

Não tens vergonha de pôr na internet uma foto tua de quando eras gorda? Aquela pessoa da fotografia sou eu. Aquela pessoa da fotografia, que tinha excesso de peso, que não gostava de ir à praia, que comia para compensar, que era triste, sou eu. Ok, agora eu já não tenho peso a mais. Sou capaz de treinar cinco vezes por semana e caibo numas calças 36 da Zara ou da Mango. Sim, existem em mim muitas diferenças, mas todas essas melhorias não apagam o meu passado. Não apagam todas as lembranças que tenho. E ainda bem. Porque enquanto eu tiver memória, vou querer lembrar-me do que vivi. Tenho vindo a aprender uns truques, que me ajudam a transformar a angústia e a tristeza em força e determinação. Por isso a resposta é NÃO. Não tenho vergonha nenhuma daquela fotografia. São documentos daqueles que me dão a certeza de que todo o esforço vale a pena. Sempre.