Hoje, porque me magoei e precisei de parar, cheguei cedo a casa. Reforcei a ideia de que quando estou desocupada sinto vontade de comer coisas boas. Das boas que são más. Assim que assentei, comecei a rever as hipóteses que tinha: fruta, frutos secos, uma fatia de pão bem recheada. Depois, comecei a pensar, com muito afinco, na banca de farturas que habita no fundo da minha rua. Eu gosto de farturas comó caraças! Salvei, salivei, salivei. Limpei a baba e pus fim aos pensamentos com uma posta de bacalhau e brócolos cozidos, que é quase a mesma coisa. Mas isto da fartura continuou a inquietar-me. Era a ideia do açúcar, da canela, do óleo ressequido. Depois de alguma agonia, decidi ser uma Perna Fina muito controlada. Amansei o bicho com um copo de água e fui deitar-me, na esperança de me esquecer que, no fundo da minha rua, está uma senhora chamada Áurea a vender farturas que são uma categoria.

3 Comments on Tempo e farturas

  1. Passei pelo mesmo desejo esta semana, não resisti e lá embuchei um churro (só para não sentir a culpa de comer a gorda da fartura)!
    É a vidinha, lá teve de ser 🙂 Keep Strong, Perna Fina.

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