Mês: Setembro 2015

Coisas que me tiram do sério #4

Pessoas que comem tudo o que querem, mantêm a magreza e ainda se gabam disso. É que este tipo de gente põe-me completamente louca, doida varrida. Então anda aqui uma pessoa, esforçadinha, esforçadinha, a comer e a beber o que é suposto e depois há outras que esfregam na nossa cara os pacotes de Oreo que comem diariamente? E aí vêm, as bocas da reação, dizer que essas pessoas podem estar gordas por dentro, que não é um comportamento saudável e blá, blá, blá, mas a verdade é que se baterem a bota d’hoje para amanhã vão todas consoladinhas e eu não. E isso custa. E isso dói. E pronto, já desabafei. Mas escrevi cada palavra com palpitações, qu’isto mexe mesmo comigo. E não me irritem, que este meu feitio anda p’la hora da morte. É a falta de açúcar, é o que é. Filhos da mãe.

Vida de Perna Fina

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Esta Perna Fina que vos escreve,
Hoje teve um dia de cão.
Ora, atentem bem:
Só para terem uma pequena noção.

Acordei atrasada,
Não sequei bem o cabelo.
Pareci um caniche eriçado,
Ao qual o dono não tosquia o pêlo.

Almocei a correr.
Comi pouco, mas fiquei enfartada.
Trabalhar assim não foi nada fácil,
Estou para aqui toda agastada.

Para além de tudo isto,
Ainda me dói ligeiramente um tendão.
Não é nada que não se aguente,
Mas a dor já passava, não?

Para terminar o dia em beleza,
Fui direitinha para o CrossFit.
À saída, toda suada, senti um ventinho.
Ai, queres ver que apanho uma amigdalite?

Por esta hora estou a tentar dormir,
A esquecer-me do que passou.
Amanhã será um novo dia
E eu vou tratar deste feitio, vou, vou.

Massagem ao ego

Adoro massagens. Nos últimos meses, aprendi que melhor do que massajar as costas ou as pernas, é massajar o ego. Não em demasia, que tudo o que é demais enjoa, mas na medida certa. Estas fotografias são apenas isso: uma enorme massagem ao meu ego. Tenho a sorte de ter amigas talentosas, que vibram comigo e com as minhas conquistas. E isso é tão bom. Tal como é bom ver a Perna Fina crescer desta maneira. Obrigada por cada mensagem, por cada comentário. Todo este apoio reforça a minha vontade de me continuar a melhorar, na esperança de que a minha história possa inspirar alguém. Se eu conseguir isso…

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Fotografia: Inês Sousa
ifvsousa@hotmail.com
Cabelo e Maquilhagem: Sónia Altafini

Sobre o controlo

Eu controlo-me muito, todos os dias. Também cedo algumas vezes. Doutra forma ficaria louca. Porque o facto de eu ter mudado a minha alimentação de raiz, não fez com que eu apagasse os meus gostos por coisas boas. Eles continuam todos cá. Por isso é que quem não gosta de comer tem mais facilidade em manter-se magro e quem gosta tem mais tendência para engordar. Genericamente falando, claro está. Isto, porque tenho recebido muitos elogios ao meu controlo e força de vontade e eu não quero ser uma fraude. Quero ser real. E a realidade é que esta coisa do controlo é um trabalho contínuo, do qual serei empregada para o resto da vida. O que eu percebi nos últimos tempos, foi que não vale a pena viver em agonia por não poder comer gelados todos os dias, sobretudo se os comer para compensar uma tristeza, uma desilusão ou uma grande alegria. No entanto, não morre ninguém se eu comer um gelado, porque gosto e porque quero. Esta história do controlo tem mesmo muito que se lhe diga. Eu faço o meu melhor, a sério que faço, mas nunca ninguém me vai ouvir dizer que é fácil. Porque não é.

Faço isto por mim

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Já houve um tempo em que tentei emagrecer para não ser gozada por ninguém. Para caber num vestido justo, que nunca cheguei a estrear. Para chamar à atenção daquele tipo giro, que, por eu ser gorda, nunca se interessou por mim. Já houve um tempo em que eu tentei emagrecer pelas mais variadas razões, grande parte delas completamente externas à pessoa que eu era. Hoje eu tenho a certeza por que perdi aqueles quilos todos e por que quero continuar a cuidar do meu corpo. Eu faço isto, única e exclusivamente, por mim. Por isso, aceito que algumas pessoas não entendam algumas escolhas que eu faço. É legítimo que não percebam, porque elas não estão na minha pele. Não são eu. Eu faço isto por mim, porque quero e porque não queria, nem podia ter a ilusão de querer, que alguém o fizesse no meu lugar.

*Às vezes, as pessoas à tua volta não vão perceber a tua jornada. Não têm de o fazer, porque os resultados não são para elas.

Tempo e farturas

Hoje, porque me magoei e precisei de parar, cheguei cedo a casa. Reforcei a ideia de que quando estou desocupada sinto vontade de comer coisas boas. Das boas que são más. Assim que assentei, comecei a rever as hipóteses que tinha: fruta, frutos secos, uma fatia de pão bem recheada. Depois, comecei a pensar, com muito afinco, na banca de farturas que habita no fundo da minha rua. Eu gosto de farturas comó caraças! Salvei, salivei, salivei. Limpei a baba e pus fim aos pensamentos com uma posta de bacalhau e brócolos cozidos, que é quase a mesma coisa. Mas isto da fartura continuou a inquietar-me. Era a ideia do açúcar, da canela, do óleo ressequido. Depois de alguma agonia, decidi ser uma Perna Fina muito controlada. Amansei o bicho com um copo de água e fui deitar-me, na esperança de me esquecer que, no fundo da minha rua, está uma senhora chamada Áurea a vender farturas que são uma categoria.