Mês: julho 2015

Isto da exibição

Tenho ouvido umas bocas sobre exibição. Porque agora estou magra. Porque agora me quero mostrar. Porque agora quero envergonhar os outros. Quem me conhece desde sempre, sabe que sempre fui uma pessoa extrovertida e entusiasmada com a vida no geral. No entanto, persistiu em mim algum desconforto por viver fora da norma. Nunca fui a miúda magra do biquíni giro. Nunca fui a mais popular. Esta alegria, que atualmente os outros dizem ver na minha pessoa, prende-se com o bem-estar e a tranquilidade que sinto. Eu vivi 15 anos em luta: com a comida em excesso, com o exercício que devia fazer e não fazia, com as calças apertadas, com os tops da moda, que queria usar mas achava que não podia. A maioria das pessoas apresenta a sua melhor forma na adolescência e nos 20’s e eu só estou a sentir essa leveza (quase) aos 30’s. E é bom. É muito bom. Não é exibição, é paz.

Coisas que NÃO devemos fazer quando queremos perder peso

Monodieta._Manzana

Como já estamos todos cheios de saber (achamos nós) o que devemos fazer para perder peso, eis uma lista com Coisas que NÃO devemos fazer quando queremos perder peso.

1. Comer só um tipo de alimentos.
A Dieta do Ananás, a Dieta do Chocolate, a Dieta do Que For. Todas as dietas são uma treta, se prometerem resultados a curto prazo e de forma quase milagrosa. Ninguém mantém uma magreza saudável a comer rodelas de ananás o dia inteiro. Ninguém. Pode parecer um cliché, mas comer um pouco de tudo o que existe é mesmo fundamental.

2. Passar fome.
Se não comermos, o nosso corpo começa a bater mal. Vai achar que por alguma razão estamos à beira do colapso e, por isso, vai guardar todas as reservas do pouco que comemos. O metabolismo também não mexe muito, porque não sabe quando voltaremos a comer.

3. Saltar refeições.
Esta está diretamente relacionada com a anterior. Quem nunca se permitiu a comer um boi ao jantar porque mal almoçou? Se comermos menos do que é suposto, e sem mínimo de regularidade, o nosso corpo vai desacelerar. Mesmo. Um metabolismo lento é inimigo da perda de peso.

4. Achar que beber água não é assim tão importante.
Para além de ajudar na retenção de líquidos, a água ajuda a limpar o corpo. É assim como um duche interno. As digestões ficam facilitadas e o intestino funciona que é um mimo.

5. Fazer exercício físico como se não houvesse amanhã.
De repente, desatamos a treinar, como se fossemos aos Jogos Olímpicos de 2016. Acontece, muitas vezes, nos lesionarmos por inconsciência. Depois voltamos à estaca zero, a odiar tudo o que envolva nos mexermos mais do que é suposto.

6. Tomar medicamentos.
Não há milagres. Quem toma pílulas mágicas na esperança de emagrecer, continuando a comer tudo o que lhe apetece, está feito. Comida, exercício e descanso. Não há nada mais eficaz.

7. Fazer a dieta da vizinha.
Cada caso é um caso e o que funcionou com a vizinha do 5.º Esq. pode não funcionar connosco. Fazer uma dieta que alguém fez, sem qualquer supervisão, dá asneira.

8. Subir à balança todos os dias.
Que peso é que uma pessoa perde de um dia para o outro? O peso oscila por diversas razões e pode aumentar ou diminuir ao longo do dia. Se nos esfalfamos que nem cães famintos e o número da balança não desce, corremos o risco de perder a coragem e aí é a morte do artista.

9. Evitar eventos sociais.
A nossa vida não pode ser condicionada pela nossa alimentação. A nossa alimentação é que tem de se adaptar à nossa vida. Se na sexta-feira fomos a um jantar de amigos e comemos um doce da casa que nos levou ao céu, comemos e pronto. Não comemos é todos os dias, ok?

10. Entrar em histeria.
Já passaram duas semanas e ainda não perdemos peso nenhum, a fome começa a apitar, está na hora de desistir. A nossa vida é uma merda e os nossos planos saem todos furados. Calma. O nosso corpinho está só a chorar um bocadinho por batatas fritas, mas é como os miúdos: se não ligarmos muito, daqui a pouco passa.

Des-

Tu, que usaste este prefixo mais do que devias, devias saber que o gosto que tenho à língua portuguesa me leva a pensar nas palavras (e nas situações) mais tempo do que é suposto. Tu, que me encheste a vida de desapego, de desinteresse e de desdém. Tu, que me mostraste o que é o desvalor de mim, vindo de ti, que desinvestiste, que desististe. Tu, que achaste que eu aguentaria para sempre a desafeição e o desamor. Era essa a minha obrigação, não era? Tu, que sem saber escrever bem, terminaste a história com desencanto. Tu, que hás-de ler isto, sabe-se lá o que sentirás. Espero que nada. Como eu.

Perna Fina Feliz

fotografia (2)

A maior alegria que eu tenho nesta coisa toda da perda de peso é poder vestir o que me apetece. Podia dizer que me sinto incrivelmente feliz por estar saudável, forte, ágil e capaz, mas ter um corpo de que gosto, e no qual tenho orgulho, provoca-me um entusiasmo difícil de explicar. Antigamente, havia uma série de peças de roupa que eu não vestia: calções, blusas de alças, saias acima do joelho, vestidos justos. Arriscava pouco. Achava que não podia, que não devia expor-me. Por ser gorda. Por estar fora da norma. Ontem saí de casa com uma t-shirt branca, calções  de ganga e ténis. Senti-me mais bonita do que nos dias em que me aperaltei para uma festa ou um casamento, com cabelo esticado e maquilhagem a condizer. Se há condição que prezo é a de ser livre. Livre de ser quem eu sempre quis ser. Há quem diga que os gordos são pessoas felizes. Eu não era, mas agora sou. Sou uma Perna Fina Feliz.