Mês: maio 2015

Por favor, não fiques esquelética!

Pois que, de repente, há toda uma preocupação com a minha magreza. “Ai, que a miúda sempre foi gorda, agora está magra, ainda apanha alguma maleita desgraçada e vai desta para melhor.” A mais preocupada é a senhora minha mãe. Filha, não achas que já chega? Não te fará mal tanta ginástica? Só comes isto? Não é pouco? (E a melhor de todas) Por favor, não fiques esquelética! Acho que há uma hipótese muito, muito remota de eu ficar esquelética. Em primeiro lugar, eu como. Como bastante bem. Como pão, como chicha, como peixinho, como fruta fresca, frutos secos, eu como. Depois, não há na história do CrossFit mulheres demasiado magras. Até porque é precisa alguma estrutura física para levantar as barras, para fazer os burpees, and so on, and so on. Por último, eu não quero ser esquelética. E quando digo que me faltam 3 quilos para parar, digo-o porque a minha médica me diz que esse será o peso ideal para mim, para o meu corpo. Não é só porque me apetece ter 55 quilos. Não é pelo número! (Leram o texto anterior?) Posto isto, está tudo bem comigo, ok? No fundo, estou só a condizer com o nome do meu blogue e a esforçar-me verdadeiramente por me sentir como sempre quis: saudável, atlética e profundamente capaz de tudo o que eu quiser.

O tempo dos números

Eu gosto de números. No dinheiro. Nas datas especiais. Nas horas. Na quantidade de gasóleo que tenho. Sempre gostei de números e talvez por isso seja tão feliz a trabalhar com números e miúdos, que também gostam de números. Nos WOD’s, por exemplo, calculo imediatamente o número de repetições que vou ter de fazer em cada exercício. O coach fica doido quando faço isso.

O número que sempre me atormentou foi o número do meu peso. Houve um dia que me pus em cima da balança e vi um 77. Ia tendo um ataque cardíaco. Nesse dia, lembro-me de entrar no carro, sozinha, e chorar até me doer a cara. 77 quilos? Como é que eu tinha chegado aos 77 quilos? O que mais me assustou foi a proximidade dos 80. Isso é que me tirou do sério!

Fiz uma dieta de batidos e estabilizei nos 70 e poucos quilos. Em maio do ano passado, cheguei à consulta da doutora Catarina com 71 quilos e 900 gramas. Lembro-me de, todas as semanas, pedir à doutora uma estimativa de perda de peso para a semana seguinte. Eu só queria perder peso, ver aquele número a baixar.

A doutora nunca me deu muita saída nesta coisa das estimativas. Apenas me pedia que deixasse o meu corpo trabalhar, que se eu fizesse tudo bem ele ia responder. E vieram os 69, os 68, os 67, os 66, os 66 e os 66. Estive também muito tempo parada nos 64 e nos 62. Às vezes senti-me desanimada. Porra, por que é que o número não diminuía?

Quando vi os 60 certos senti um grande alívio. Tinham passado 10 meses e eu comecei a ver o meu objetivo cada vez mais perto. Esta semana a balança mostrou-me um 59 e pela primeira vez eu senti-me absolutamente tranquila. Levei quase um ano a sentir-me tranquila. Ter-me-ia poupado a muitos nervos se me tivesse acalmado mais.

Moral da história: se nós fizermos o que é suposto fazermos pelo nosso corpo, ele vai corresponder. Pode não ser no minuto a seguir, mas será um dia, um mês, um ano depois. O que não podemos é achar que de hoje para amanhã vamos perder 5 quilos e desatar a comer se essa expectativa não se cumprir. Os números precisam de tempo e saber esperar é uma virtude. E no final das contas, o que conta é o tempo que passamos a cuidar do número, não por causa dele, mas por tudo o que ganhamos com a sua chegada.