Eu gosto de números. No dinheiro. Nas datas especiais. Nas horas. Na quantidade de gasóleo que tenho. Sempre gostei de números e talvez por isso seja tão feliz a trabalhar com números e miúdos, que também gostam de números. Nos WOD’s, por exemplo, calculo imediatamente o número de repetições que vou ter de fazer em cada exercício. O coach fica doido quando faço isso.

O número que sempre me atormentou foi o número do meu peso. Houve um dia que me pus em cima da balança e vi um 77. Ia tendo um ataque cardíaco. Nesse dia, lembro-me de entrar no carro, sozinha, e chorar até me doer a cara. 77 quilos? Como é que eu tinha chegado aos 77 quilos? O que mais me assustou foi a proximidade dos 80. Isso é que me tirou do sério!

Fiz uma dieta de batidos e estabilizei nos 70 e poucos quilos. Em maio do ano passado, cheguei à consulta da doutora Catarina com 71 quilos e 900 gramas. Lembro-me de, todas as semanas, pedir à doutora uma estimativa de perda de peso para a semana seguinte. Eu só queria perder peso, ver aquele número a baixar.

A doutora nunca me deu muita saída nesta coisa das estimativas. Apenas me pedia que deixasse o meu corpo trabalhar, que se eu fizesse tudo bem ele ia responder. E vieram os 69, os 68, os 67, os 66, os 66 e os 66. Estive também muito tempo parada nos 64 e nos 62. Às vezes senti-me desanimada. Porra, por que é que o número não diminuía?

Quando vi os 60 certos senti um grande alívio. Tinham passado 10 meses e eu comecei a ver o meu objetivo cada vez mais perto. Esta semana a balança mostrou-me um 59 e pela primeira vez eu senti-me absolutamente tranquila. Levei quase um ano a sentir-me tranquila. Ter-me-ia poupado a muitos nervos se me tivesse acalmado mais.

Moral da história: se nós fizermos o que é suposto fazermos pelo nosso corpo, ele vai corresponder. Pode não ser no minuto a seguir, mas será um dia, um mês, um ano depois. O que não podemos é achar que de hoje para amanhã vamos perder 5 quilos e desatar a comer se essa expectativa não se cumprir. Os números precisam de tempo e saber esperar é uma virtude. E no final das contas, o que conta é o tempo que passamos a cuidar do número, não por causa dele, mas por tudo o que ganhamos com a sua chegada.

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