Ah ca-granda-mentira! Quem é que inventou isto? Sim, claro que tenho de me aceitar como sou, por exemplo: se eu tenho 1 metro e 63 não posso viver frustrada com o facto de não ter 1 metro e 80. Não há nada que eu possa fazer em relação à minha altura a não ser usar uns sapatos mais altos. Mas em relação a uma outra série de aspetos, que não gosto em mim, há imenso a fazer. E que mal tem eu me querer melhorar? Não tenho esse direito? Sou uma pessoa fútil por me querer sentir melhor comigo?

Por isso eu veto em absoluto essas teorias mentirosas de que as pessoas com excesso de peso são extremamente felizes. Quem é que pode ser feliz tendo pouca mobilidade? Quem é que pode ser feliz por entrar numa loja comum e não ter nada que lhe sirva? Quem é que pode ser feliz quando é olhado de lado por não encaixar na norma. Ai que cabrões, malditos padrões! E falo em excesso de peso, como falo também em celulite, em estrias, em pontos negros, em mamas descaídas, num rabo flácido… Em tudo o que me incomoda por alguma razão, que é minha, e que não deve ser julgada.

Neste Dia das Mentiras, proponho que cada um encontre a sua verdade. Seja ela qual for. Proponho que cada um se importe a sério com o estado do seu corpo, na medida em que se permite no direito de o amar em absoluto. Porque sim, devemos aceitar o nosso corpo como é todos os dias, mas mais ainda quando olharmos para ele e conseguirmos dizer: aceito-te assim e sinto-me feliz contigo, porque sei que te trato bem e cuido de ti, da melhor forma que sei, em consciência e com verdade.