Esta música veio ter comigo e eu senti-me na obrigação de refletir sobre as palavras entoadas. Peço-vos que a oiçam com toda a atenção, porque esta obra prima pode mudar vidas.


Bem, comecemos por analisar a primeira estrofe.

Minha vida está um dilema,
Mas o que é que eu vou fazer?
Se casar é um problema,
Precisamos resolver.
Chego a casa logo de manhã,
P’ra com a família relaxar,
E eu pergunta para a minha filha:
Filha, onde foi a mamã?

Para o Sr. Juvencio Luiz estar casado é um dilema. Não é que o pobrezinho chega a casa e percebe que a sua amada esposa não está? Mas esperem lá, chega a casa, de manhã, vindo de onde? Mais: se pergunta à filha pela mamã, o raio da miúda passou a noite ao encargo de quem? Eu não sou de intrigas, mas parece-me coisa para denunciar à proteção de menores. E continua.

Ela diz que mamã saiu ontem à noite, quando o papá saiu.
E até agora de manhã, mamã, não voltou.
Sei que não é a primeira vez,
Segunda vez ou a terceira vez.
Eu não aguentei,
Quase me envenenei.

Lá está: a mamã saiu quando o papai saiu. Mas quem é que ficou com a miúda? Como se não lhe bastasse passar a noite sem ninguém em casa, ainda tem um pai com tendências suicidas?! Começo a ficar seriamente preocupada com a criança e estou prestes a abrir um abaixo assinado.

Se durmo fora, dormes fora.
Quer dizer o quê?
Se janto fora, jantas fora.
P’ra fazer o quê?
Se vou para os copos, também vais.
É desafio ou quê?
‘Tá competir o quê?
‘Tá me mentir você!

Pronto, está decidido. Este é um caso a denunciar. Sim, porque no meio disto tudo o que me preocupa é só, e apenas, a miúda. Janta e dorme sozinha, enquanto os queridos paizinhos andam em competição a ver quem emborca mais copos?! Que se lixem os cornos do Juvencio! Isto ainda pode melhorar?

Eu prefiro divorciar, porque aqui já não há casamento.
Não vale a pena me enganar,
Porque já não tens mais sentimento.
Não quero te envergonhar
Em frente da nossa filha amada.
É melhor calar.
Para mim não tens nada para falar!

Filha amada? Aqui vou ter de me dirigir diretamente a ti, Juvencio: só podes estar a gozar com a nossa cara! Uma filha amada não passa o dia abandonada a ver o Cartoon Network. Não. E o ar de felicidade da mãe? É, como diria o Quim Barreiros, esse guru da música popular portuguesa, o que eu acho é que na tua casa está entrando outro macho. Já foste, Juvencio. Já foste!

Vais te dar mal é.
Vais te dar mal é.

Ah pois vais! Na verdade, vão-se dar mal (é) os dois, que eu vou juntar uma carradona de gente para denunciar esta bandalheira. Pobre miúda, pá. Pobre miúda!

Chiça, até me dói o estômago! Isto é coisa para transtornar seriamente uma pessoa.  Ou lá se é.

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