Os meus alunos têm andado a estudar Portugal e um dos pontos de pesquisa é a gastronomia de cada distrito. Os miúdos têm apresentado os trabalhos diariamente e sempre que chegam à parte da comida eu não me contenho e das duas uma: ou faço um grunhido ou sai-me uma piadinha e fico a salivar, não querendo nem saber do facto de serem nove da manhã.

No outro dia um aluno disse-me: A Joana só se lembra de ter ido aos sítios por causa da comida, não é? Eu ia morrendo! Efetivamente, se pensar em Setúbal, penso logo em choco frito. Se pensar no Porto, penso logo numas pataniscas de bacalhau que lá comi há uns anos. Se pensar em Faro, mais precisamente em Tavira, começo logo a sonhar com umas amêijoas ou com um pão d’alho MARAVILHOSO, que existe lá na ilha, que não encontro igual em mais lado nenhum. Mas há mais. Se pensar em Leiria, penso logo nas Brisas a escorrer doce d’ovos. Se pensar em Évora, penso imediatamente numa carne de porco à alentejana de tirar o fôlego…

O pior é que me apercebi disto só porque o A. me chamou à atenção. Percebi, também, que há muito pouco a fazer em relação a este meu maior pecado: a gula. Eu gosto do comer. Eu gosto de comer e lutar contra este meu gosto é um desgosto do caraças. Porém, também entendo que ou percebo que estas refeições que adoro devem ser exceções no meu plano alimentar ou de Perna Fina terei apenas o nome. E eu não quero isso.

Voltando ainda aos meus alunos, que são os mais bonitos, inteligentes e espetaculares que este século já viu, depois de eu me justificar como pude, outro miúdo levantou o dedo para pedir a palavra e disse: Não se sinta mal, Joana. Afinal, quem é que não gosta de boa comida? E é!

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