Aos olhos dos meus avós eu posso comer tudo o que me apetece. “Come, filha, come. Toma mais um chocolatinho. Queres um gelado? E umas batatinhas fritas a acompanhar o frango assado?” Eu vou recusando como posso. Sei que ficam ofendidos quando não como tanto quanto gostariam, mas se aceito tudo o que me oferecem saio de lá com um quilo ou dois a mais.

Há uns anos recusei arroz e a minha avó passou-se: “Onde é que isto já se viu, não comer arroz?! Ai filha, não sei onde vais parar com esta mania das dietas. O que me preocupa é que um dia me apanhes p’raí uma sida ou coisa pior!” Eu, os meus pais e o meu irmão íamos morrendo a rir. Pobre avó Aldina, Perna Fina de sangue azul, acha que por não comer arroz corro sérios riscos de saúde.

Há uns tempos recusei uvas e a senhora ia tendo um ataque: “Avó, não posso comer uvas.” A minha avó não disse nada, mas olhou para mim como quem diz: “Ai, um dia destes apanhas uma coisa ruim, apanhas!”

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