Mês: outubro 2014

Regresso ao passado #1

Acabei de chegar a casa, vinda do supermercado. O dia foi cansativo e eu sinto-me chateada. Das compras do dia trouxe duas merendas mistas, uma coca-cola e um chocolate de passas e avelãs. Porque eu mereço. Porque é o que me apetece. Porque é o que me satisfaz. Tenho tanta fome que nem me consigo descalçar. Pondero, até, se devo lavar as mãos, tal não é a gana. (mais…)

Mulheres

A Jessica Athayde desfilou em biquini na ModaLisboa. Assim que vi as fotografias achei que a Jessica estava com um corpão. Um corpo trabalhado e bonito. Um corpo real, de uma mulher real, que se cuida, mas que não é escrava de leis divinas. (Antes de avançar, convém lembrar que a Jessica, não sendo manequim profissional, desfilou como convidada de uma marca que, se não gostasse da imagem dela, por certo não a teria convidado.)

Logo, logo, começaram a correr p’las redes sociais as críticas que lhe foram feitas. Houve quem dissesse que estava gorda, que precisava de trabalhar os abdominais e um outro sem número de carinhos. Agora, surpresa das surpresas: as críticas feitas à atriz vieram sobretudo de mulheres. Somos mesmo amigas umas das outras, não somos? Somos. E gostamos mesmo de ver as outras a brilhar, não gostamos? Argh!

A Jessica reagiu às críticas e escreveu um texto que gostei de ler. O texto abordou a necessidade de nos apoiarmos umas às outras, estando essa união muito pr’além da imagem que temos e do corpo que ostentamos. Hum, pensei eu, estas ideias são todas muito bonitas no papel, sim senhora! No entanto, quantas de nós passa a vida em busca de uma melhor imagem? Quando é que ultrapassamos os limites do que é razoável? Sobretudo eu, mea culpa, que no último ano me tenho dedicado ao meu corpo e à minha imagem.

Segundos passados destas minhas interrogações, chegaram-me as respostas. Ultrapassamos os limites, aos meus olhos, quando queremos a perfeição em vez da segurança e dos benefícios que um corpo saudável nos dá. Porque às vezes, um corpo “perfeito” não é sinónimo de um corpo saudável. Chegou-me também à ideia o facto de às vezes sermos umas grandes cabr*s umas para as outras, só porque sim. Quantas vezes dou por mim a deitar o olho às botas que a outra traz nos pés…?!

Mulheres!

O texto mais lido de sempre

Agora, quando chove, e eu tenho de me enfiar num carro e conduzir, o meu coração quase salta do peito. Tenho de respirar fundo três vezes e perceber que muito dificilmente o universo conjugará de novo todas aquelas infelizes circunstâncias. E ainda bem. A madrugada de 7 de setembro ficará para sempre gravada na minha memória. Este foi o texto mais lido de sempre. (mais…)

Para a Ana (e para todas as Anas que possam ler este texto e identificar-se com ele)

Querida Ana,
Eu sei exatamente como te sentes. É muito duro não estarmos contentes com o nosso corpo e com a nossa imagem. É mesmo uma grande treta! Para mim, o pior era o meu dilema diário: como ou não como? Todos os dias prometia a mim mesma que não ia comer nada que me fizesse mal, mas acabava sempre por me trair. Uma tristeza, uma desilusão, uma chatice e lá estava eu a refugiar-me num bolinho ou dois. Já alguma vez te aconteceu? A mim aconteceu dias a fio. Anos. (mais…)

Perna Fina vai ao Crossfit: Parte II

Como gostei muito de arrasar comigo própria da primeira vez, ontem voltei ao Crossfit. Primeira felicidade: O Bonito estava lá, lindo como só ele, e prontinho para arrasar comigo. Primeira infelicidade: era a única mulher do treino. A única no meio de, p’raí, dez marmanjos em tronco nu, que rapidamente começaram a suar em bica. Segunda felicidade: O Bonito olhou para mim e disse: “Voltaste, Joana?” Eu devo ter corado até aos calcanhares e, por isso, apenas sorri.

A aula começou e com ela vieram os nomes estranhos que, mais uma vez, não consegui memorizar. O aquecimento, que durou três minutos, consistiu em fazer repetições de quinze agachamentos e de quinze elevações. Depois, começou o treino: um wod “especial” que prometeu mostrar aos praticantes de Crossfit a sua evolução. Este wod consistiu numa sequência alternada entre agachamentos com barra e peso (eu levantei uns vergonhosos cinco quilos) e elevações. Houve três rondas: na primeira tinham de ser feitas vinte e uma repetições, na segunda quinze e na última nove. Após todas as explicações começou o treino.

Ao fim dos primeiros vinte e um agachamentos eu comecei a arfar. Terminar, então, as vinte e uma elevações foi uma missão quase impossível. Valeu-me a motivação extra! Como disse no início, eu era a única mulher do treino (e novata, ainda por cima), o que fez com que durante todo o tempo só se ouvisse:
– ‘bora, Joana!
– Atenção a esses cotovelos!
– Baixa mais esse agachamento! (Eu baixava e ele gritava: MAIS!)
– É isso, Joana!
– É para bater com o peito nas argolas! (LOL!)

Quando terminei o wod, atirei-me para o chão. Depois, como toda a gente, escrevi no quadro o meu tempo: onze minutos e vinte e seis segundos. O treino acabou com os alongamentos. Num deles, teve de se dobrar uma perna por baixo do rabo e deitar as costas no chão. Para mim, a maior facilidade de todas. Para os gigantões, uma aflição. De repente ouviu-se: Esta é que é a tua praia, ãh, Joana!?

Olha o desgraçado, pensei eu! Viu-me duas vezes e já percebeu que gosto mesmo é de estar deitadinha de papo para o ar! Argh! Bem, no final de tudo, agradeci e disse que estava convencida, que me queria inscrever. O Bonito explicou-me tudo direitinho.

Desta vez, já não me custou tanto a voltar para casa. Querem ver que isto já está a fazer efeito? Também vos digo, se não é isto que vai fazer de mim uma Perna Fina…

Um rabo doutro mundo

Tudo é maravilhoso quando se perde peso: mais saúde, mais elegância, mais autoestima, mais roupa para vestir, mais, mais, mais. Tudo é maravilhoso, à exceção do facto de ficar sem rabo. Na verdade, no rabo saí ao Sr. Meu Pai. Parece que levámos um pontapé no fundo das costas e que no sítio onde assentam os bolsos das calças não mora ninguém. E este é um desgosto que me assola há uns anos. Vá, não me tira o sono, mas chateia-me um bocadinho. A culpa é das Beyoncés e das JLos da vida. Elas, que exibem uns rabos que-sim-senhor, arruínam todas as hipóteses de eu gostar verdadeiramente do meu!

Percebi há uns dias que existem páginas nas redes sociais só sobre este assunto. Afinal, não sou a única mulher do mundo sem rabo. Na verdade há milhares, milhões de mulheres com o mesmo sentimento que eu. Em que é que algumas delas me ganham? Pararam de se lamentar e deram o corpo, neste caso o rabo, ao manifesto. Isto lido assim de repente pode parecer estranho, e até duvidoso, mas não tem duplo sentido nenhum. As mulheres que tenho encontrado vêm provar que nenhum rabo está perdido e que, com muito exercício (e eu diria que umas massagenzinhas também devem ajudar), qualquer moça pode ter o rabo dos seus sonhos.

Pois que estou com vontade de me empenhar nisto. Eu estou com fé no crossfit, confesso. De qualquer forma, vou continuar a consultar estas páginas e perceber como é que algumas gaiatas conseguem transformar um rabinho comum, num rabo do outro mundo, (acreditando que todas as fotografias de antes e depois são minimamente verdadeiras). Eu não quero que o meu seja doutro mundo, não. Só quero melhorá-lo um pouco. Só um poucochinho! Enquanto isso não acontece, vou só ali chorar um bocadinho. Ao mesmo tempo vejo, pela enésima vez, o vídeo da Beyoncé dedicado às Single Ladies (e intensifico o choro).

Crossfit: the day after

Aiii, dói-me tudo! Doem-me os ombros, os braços, os abdominais, as axilas, o-pedaço-de-chicha-que-tenho-por-cima-das-costelas, os glúteos, as coxas, as canelas, os gémeos. Dói-me tudo. E o pior é que O Bonito disse que só 48 horas depois é que as dores chegavam a sério! Aiii!

Perna Fina vai ao Crossfit

Cheguei meia hora antes. Eu e esta minha louca mania de chegar com muito tempo de antecedência a todo o sítio para onde vou, não vá o diabo tecê-las e eu atrasar-me. Meia hora que me fez os nervos em fanicos. O coração batia muito. Não sei se era medo, se era ansiedade, se era entusiasmo. Talvez um pouco disso tudo. “Mas estás nervosa porquê?”, pensava eu! “O que é o pior que pode acontecer? Não conseguires fazer tudo o que te mandarem? Ou fazer tudo o que te mandarem mesmo que para isso te tenhas de arrastar pela box?” Dez minutos antes do início da aula, saí do carro com o seguinte pensamento: “Caguei (desculpem a expressão), vou dar o meu melhor. Depois logo se vê”! (mais…)

As cenas do Zé II

Conversa matinal entre os meus pais:
Zé – Tenho tanta pena destas meias… Nunca as calço!
Ana Maria – Tens pena das meias porquê?
Zé – Nunca as calço, porque são muito curtas e caem-me dos pés.
Ana Maria – Olha que tu?! Pena dumas meias?! Ainda se tivesses pena dos seres humanos e dos animais abandonados! Ou de mim, por exemplo, que te aturo há 30 anos!
Zé – ‘ta bem, pronto! Deita as meias para o lixo! Já me passou a pena!