O bom de correr na rua, para além de todos os benefícios evidentes, é que vemos gente. Eu adoro ver gente. Adoro observar gente. Podia passar horas nisso. Quando corro, observo como posso. Troco olhares com pessoas que nunca vi e com quem nunca falei e nalgumas vejo admiração. Sorrio por dentro. Acontece também encontrar pessoas que conheço. Nunca páro para lhes falar. Não posso parar. Nestes contactos com gente, que me olha e para quem olho, sinto-me crescer. A cada corrida sinto que a Joana dos tempos de escola está quase a desaparecer de dentro de mim.

A Joana dos tempos de escola tinha todas as doenças do mundo nos dias de educação física.
A Joana dos tempos de escola nunca foi atlética. Nunca fez um pino, uma roda.
A Joana dos tempos de escola era sempre a última escolha no momento de fazer as equipas. Nunca marcou um golo, nunca defendeu nenhum.
A Joana dos tempos de escola foi gozada e humilhada por colegas (como é normal?!) e por uma ou outra (maldita) professora de educação física.
A Joana dos tempos de escola sempre foi a gorda e morria de vergonha que a vissem a mexer-se mais do que era previsto.

Hoje quero mais é que me vejam, que me olhem. Correr na rua, muito mais do que correr numa passadeira num ginásio, dá-me a possibilidade de ver e de ser vista. Sem complexos, sem traumas. Com atitude, com confiança e com vontade de ser melhor. Porque mereço e porque quero.

2 Comments on Correr para ver (e ser vista)

  1. Hoje em dia adoro ainda mais o facto de ter “obrigado” a Joana dos tempos de escola a agarrar, a lançar e a saltar mesmo minimamente que fosse com uma bola de basquete, que no inicio dos tempos de escola ela via a passar e dizia “ninguém me da a bola” à Joana dos tempos de escola eu dizia “ninguem tem de ta dar, es tu que tens de a agarrar”, esta Joana fora da escola corre atras de todas as bolas que aquela lá atras deixou passar ao seu lado! ;D corre Joana corre e faz correr.

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