Lembro-me da noite em que a Vanessa Fernandes ganhou a medalha de prata nos Jogos Olímpicos de Pequim, em 2008. Vanessa, uma superatleta de triatlo! Andava de bicla, nadava e corria (não tenho a certeza se era por esta ordem). Lembro-me de a ver correr, já na parte final da prova, e de pensar: que mulher impressionante! Que capacidade de suportar a pressão, as emoções, a dor física.

Eu, o meu irmão e os meus pais estávamos doidos com a Vanessa. Portugal inteiro estava. Com a Vanessa e com o seu pai, um antigo ciclista vencedor. Durante toda a prova, sobretudo na parte da corrida, correu com a filha quase lado a lado. Gritou por ela, sofreu com ela, venceu com ela. Foi emocionante! “Corre, Vanessa! Estás bem! Acelera! Mantém, mantém! Vanessa, é correr até cair!”

Admirei a Vanessa Fernandes naquele dia e lamentei as notícias que surgiram, uns anos mais tarde, sobre o seu distúrbio alimentar. Admirei-a como admiro de forma inesgotável todas as pessoas que têm a rotina de correr. Faça sol, faça frio, chuva ou calor, lá vão elas correr todos os dias. Admiro-as tanto.

Nunca assumi para mim mesma que seria capaz de correr a sério. Andar rápido sim. Correr não. Sempre que tinha de o fazer o meu corpo e a minha alma faleciam aos bocadinhos. Há uns dias, em conversa com uma amiga, disse-lhe: não gostavas de ter a capacidade de correr todos os dias? Ela disse que sim, mas que nunca seria capaz de fazê-lo, que é demasiado .preguiçosa. Nesse momento pus na minha cabeça que ia começar a correr à séria a partir do dia 1 de fevereiro e que o faria, p’lo menos, durante os 28 dias do mês. “Sério?”, perguntou ela. Eu disse que sim. Hoje corri quase até cair e tenciono levar o compromisso até ao fim.

Com certeza, nunca serei uma atleta como a Vanessa Fernandes (apesar de ter a certeza que o meu paizinho iria gritar por mim com a mesma convicção que a do pai da Vanessa), mas serei a atleta que fizer por ser. Vou testar-me, desafiar-me e surpreender-me. Talvez me torne numa daquelas pessoas que admiro. Talvez até possa vir a ser admirada por alguém e que essa pessoa também comece a correr, em parte, por minha causa.

28 dias = 28 corridas? Desafio aceite.

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