“Enquanto estiveres debaixo do meu teto não há cá mais brincos, tatuagens… Nem pinturas de cabelo!”, dizias-me tu, mãe, quando eu era pequena. A culpa destes meus desejos não era minha, era das Spice Girls. Elas eram brutais: tinham madeixas com cores, tatuagens e piercings. Eram lindas e tu sabias que eu as adorava. Porém, tive de respeitar a tua vontade, porque te respeito sempre. Para além disso, não me davas dinheiro para loucuras e eu não tinha como ser igual a uma Spice Girl.

Quando cresci continuei com vontade de pintar o cabelo. Tu continuavas sem me dar dinheiro para “estragar a minha cor de cabelo natural”, que “é tão bonita”, dizias e ainda dizes tu. “O teu cabelo cresce tão devagar… Depois vais fartar-te. Não te metas nisso, Joana!”

Nunca te escondi que quando começasse a trabalhar ia fazer o “gosto ao dedo” e fiz: com um dos primeiros ordenados pintei o cabelo. Fiz umas madeixas pouco mais claras que a cor original e tu nem desgostaste. Depois ganhei-lhe o gosto e fui loura, ruiva, morena… E a seguir, tal como me avisaste, fartei-me! Há quase 3 anos que espero ter o meu cabelo como era antes. Há anos que espero voltar a ver-me limpa, sem cores. Ver-me quase como me via em criança: natural, simples, sem tintas.

E hoje, querida mãe, consegui(mos): já tenho o meu cabelo de volta. Todinho igual, sem outras cores. Sabes o que eu acho que vai acontecer quando me vires amanhã? Vais sentir que aquela tua menina de 10 anos, doida pelas Spice Girls, está de volta. Ou talvez percebas, com maior convicção, que a tua menina nunca deixou de ser a mesma, apesar do cabelo manchado.

Mãe, tu tens sempre razão e eu adoro-te por seres assim.

Da tua Perna Fina.

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