7 de janeiro: dia de voltar ao ginásio (e não me peçam para vos dizer desde quando não punha lá os pés). Sabia que ia ser duro, mas fui confiante.

Tenho sempre um misto de sentimentos no ginásio, onde se passeiam aqueles homens e mulheres com corpos esculturais. Eles com camisolas de alças e calções curtos. Elas com tops, que mais parecem sutiãs, e calças, com as quais mal devem respirar, de tão justas que são.

Invejo-as, confesso, mas não no mau sentido do termo (se é que há bom sentido na inveja). Invejo-as porque são disciplinadas. Estão lá todos os dias e vão a mais do que uma aula. Antes (ou depois) passam pela sala de musculação e pelas máquinas. Também devem comer bem!? Não se tem um corpo daqueles se se comer mal. É impossível. Ou então, são daquele tipo de pessoa, enervante, que come tudo o que quer e mesmo assim continua a ter um rabo igual (ou parecido) ao da Jennifer Lopez.

Nas minhas idas ao ginásio tento sempre passar despercebida. Estou ali, faço o que tenho a fazer e vou-me embora com a mesma ligeireza com que entrei. Hoje não foi exceção.

Entrei na sala das máquinas, dirigi-me às passadeiras e comecei a caminhar, pensando: ” ‘bora lá, Joana! És perfeitamente capaz de te aguentar à grande!” Caminhei/corri durante 50 minutos. Durante esse tempo não pude deixar de reparar nas tais moçoilas: correm a uma velocidade assustadora. É, não há milagres. Saí da passadeira e fui para uma das minhas aulas favoritas: Sh’Bam!

Sh’Bam é uma aula de dança, orientada por uma professora muito simpática e entusiasmada. Entreguei a senha sabendo que não era nova ali. Já fiz aquela aula dezenas de vezes. Eis senão quando vi uma imagem refletida no espelho (diga-se que a sala tem as luzes apagadas, quase como uma discoteca) e pensei: “Vês, Joana, neste ginásio há mais gente com a anca larga como tu.” Olhei de novo e percebi que a imagem que vi ERA A MINHA! Sabem aqueles segundos em que o cérebro pára?

Levei a aula bastante a sério (dentro das possibilidades de quem lá não vai há algum tempo). Havia em mim toda uma largura de ancas para estreitar. Às tantas, a professora, que é fabulosa, diz: “Vamos, mexam esse esqueleto!” E eu pensei: mas há aqui algum esqueleto para eu mexer!? Aqui só há chicha, chicha da boa. Ai, o que o Natal faz às pessoas. Ri-me de mim e do meu pensamento: “Boa, Joana. Noutra altura terias ficado… Deprimida?!”

Voltei para casa ainda de cara encarnada, tal foi esforço. Fiz uma nutritiva salada, jantei e acentuei a vontade de não voltar a confundir a minha imagem no espelho. Nem por um segundo.

1 Comment on Espelho meu, espelho meu…

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